sexta-feira, 25 de maio de 2012

Solidão Ilustrada

O hálito continua cansado.
O corpo se encontra cada vez mais pálido.
Não encontro mais forças.
O corpo físico destroçou a alma moça.

Pra que me levantar?
Pra que continuar?
A alma vai, o corpo fica.
A alma vive, o corpo definha.

As horas correm e eu não as acompanho.
As folhas caem por esse corpo morto.
Continuo solitário vigiando o tempo correndo solto.

O olhar cansado.
O sorriso abatido.
A vida passando pelos livros.

22/05/12

terça-feira, 1 de maio de 2012

Os Esdrúxulos Pensamentos Presos na Jaula

Expulso do oculto paraíso subterrâneo, compreendo forçosamente que a jornada continua e que novas estradas têm de ser exploradas.

Olho-te nos olhos, você me lembra alguém que eu muito admirava e, secretamente – em segredo até de meu próprio eu – desejava. Você ameaça, mas as condições não permitem e, novamente, sou obrigado a enjaular meus esdrúxulos pensamentos.

A jaula continua fechada em sete chaves e o demônio que aqui reside tenta em vão quebrá-las. Só lhe resta os pensamentos, os esdrúxulos pensamentos.

22/01/12

sábado, 7 de abril de 2012

(sem título)

Afasto-me do passado sereno e navego conduzido por belas criaturas sorridentes para o meu tão ansiado futuro.

Cabelos, olhares, sorrisos e carícias irrealizadas.

Desembarco em meu paraíso exclusivo e tudo o que me rodeia é de meu agrado.

Olhares, sorrisos e leves toques em suas mãos.

Mais um copo, mais um trago. Mais um corpo, mais um...

23/01/12

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A Carne é Trêmula e as Rosas são Selvagens

O enjôo matinal transforma-se num ávido desejo noturno.

A carne, com o passar dos minutos, torna-se trêmula, completamente trêmula.

Amores crescem como os frutos das árvores.

E hoje, bem, hoje eu percebi o quanto o lado direito mexe comigo.

Listras alaranjadas, amarelas e azuis, todas se confundindo e desaparecendo com o menor dos suspiros.

O navio ainda se intitula de “umnavio”, porém, cais tentadores é o que não falta por esses mares.

Sorrio, fito seus olhos, sorrio, me despeço.

Fui obrigado pelos deuses a me retirar e, pelos mesmos, fui jogado no olho do furacão, aguardando insanamente pela minha inevitável morte. Porém, ao sentir essa iminente sensação de perigo, meus olhos se abrem e enxergam a luz. E é essa luz que me conduz a eles, a todos eles.

Ao me encontrar com esses seres sinto-me obrigado a arriscar. É uma força impulsiva que eu não consigo controlar. Força utilizada em vão – como todas as outras vezes – mas pelo menos ela foi utilizada.

Aprenda: as rosas são selvagens e, ao despertar de seu botão, elas desejam incontrolavelmente possuir tudo o que esta em sua volta. Tudo.

21/01/12

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os Amores são Brutos

Amores efêmeros, amores intensos, paixões instantâneas. Literalmente, os amores são brutos.

Eles seguem queimando todas as bandeiras dos preconceitos e dos paradigmas.

Eles defendem é o verde, todas as tonalidades de verde.

Os sorrisos são sempre sinceros, a beleza natural torna-se singular, e os olhares, bem, os olhares tem a sagacidade de atingir até a menor partícula escondida no canto mais escuro.

Seres mitológicos caminham livremente por essa cidade, todos portando roupas verdes, estampando um sorriso sincero e rompendo com todas as amarras que os prendem ao passado.

18/01/12

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pianista

Adentro por esse espaço desconhecido com a pulsante curiosidade correndo ferozmente por minhas veias.

Espera, espera, espera... E eis que se inicia.

Surpresas, – a vida é uma velha e empoeirada caixa de surpresas – movimentos delicados e precisos por toda essa cinza esfera luminosa com leves oscilações em sua circunferência.

Apagam-se as luzes, botões começam a desabrochar. Surgem as rosas.

Meus pensamentos são esvaziados – assim como ocorrem nos comerciais do coelho branco – e toda a melodia por ti ressoada penetra impactantemente meus ouvidos e navega com forte emoção todo o meu corpo, com o meu coração como objetivo final.

E meus olhos... Os meus olhos – com lágrimas emotivas que eu, por bobagem minha, reluto em jorrar – lhe observam devotamente, sem ao menos piscá-los.

Vejo-lhe fechar os olhos e esboçar um leve sorriso de lábios cerrados. Permaneço aguardando inquieto por sua reação. Eis que, em poucas notas, os seus olhos se abrem e eu noto delicadas lágrimas – lágrimas as quais você também reluta em jorrar. E é nesse momento, é nesse exato momento que o relógio para de funcionar, tudo foi congelado. E foi assim que eu senti por todo o meu corpo essa forte ligação entre eu, você e toda a melodia que ressoava delicadamente – e bravamente - rumo ao nosso peito.

O gelo lentamente é derretido e o relógio volta a funcionar.

Quando eu menos espero você torna-se insano. A loucura apoderou-se do seu ser, a bela insanidade chegou.

Luzes, melodias, sorrisos, deslizar dos dedos, lágrimas relutantes, emoções e loucura.

O surto insano – que eu tanto admiro e compartilho – se encerra. Você desaparece desse plano por alguns instantes ao olhar minuciosamente por todos ao seu redor e deslizar os dedos suavemente por seus cabelos castanhos.

Volta ao plano.

Aplausos, gritos, devoções.

As luzes se apagam e você desaparece por esse espaço por mim ainda desconhecido. E eu, meu solitário eu, permanece aqui, a secretamente lhe escrever.

É Holden mais uma vez somos só nós dois. Só nós dois por todo esse vazio campo de centeio.

25/01/12

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ela Nunca para de Gritar

É um profundo vazio do qual não consigo me despedir. Ele me destrói por dentro. Olhe fixamente em meus olhos e veja o reflexo de todo esse vazio que em mim reside.

Cigarros, drogas, álcool e tudo o que você pode imaginar. Mas nada funciona, nada.

A decisão foi minha, eu sei, mas eu preciso me afastar imediatamente do caos e da instabilidade que eu sei que não tardaria a chegar ao meu lar (se é que já não chegou.

A aparente desistência pode soar como covardia, mas é o maior ato de coragem que eu posso oferecer. E pode ficar tranqüilo, minha essência aqui ainda reside, e ela nunca para de gritar, nunca.

10/10/11